
(Cenário: Corredor do hospital, alguns minutos após a gestante cair no chão. O caos se instalou. Médicos correm com uma maca enquanto a mulher grita de dor, segurando o peito.)
MÉDICO: (Gritando para a equipe) Chamem a equipe de emergência agora! Ela está entrando em choque!
(A mulher é colocada na maca. A enfermeira que antes foi insensível, assiste a tudo, visivelmente chocada, recuando para um canto.)
CENA 1: A PRESSÃO SOBE
(O médico chefe, Dr. Ricardo, caminha a passos largos até a enfermeira insensível, que ainda está parada, petrificada.)
DR. RICARDO: (Com voz firme e autoritária) Você tem noção do que acabou de acontecer? Por causa da sua negligência e falta de humanidade, aquela paciente quase perdeu o bebê!
ENFERMEIRA: (Tremendo, tentando se explicar) Doutor, eu… eu estava sobrecarregada, achei que ela estava exagerando…
DR. RICARDO: (Interrompendo-a) O que você “acha” não importa aqui dentro. O que importa é o juramento que fizemos. A senhora acabou de demonstrar que não tem condições psicológicas nem éticas para trabalhar neste setor.
CENA 2: A REVELAÇÃO
(Nesse momento, outra enfermeira, a que tentou ajudar no início, chega ao local.)

ENFERMEIRA 2: (Para a colega) Como você pôde? Aquela moça, ela veio de longe, não tem família aqui na cidade, está sozinha. Você não perguntou nada, só julgou.
ENFERMEIRA: (Com os olhos cheios de lágrimas, sentindo o peso da culpa) Eu nunca pensei… eu só queria me livrar do problema. Eu não vi uma pessoa, eu só vi um trabalho.
DR. RICARDO: (Apontando para a porta) Retire-se do plantão. Imediatamente. Você passará por uma sindicância rigorosa. Sua conduta será avaliada pelo conselho.
CENA 3: O PEDIDO DE PERDÃO
(Cena corta para dentro do quarto de emergência, onde a gestante está estabilizada e descansando. A enfermeira insensível entra no quarto, hesitando na porta, sem a autorização.)
GESTANTE: (Ao vê-la, vira o rosto, com medo) Por favor… não me machuque mais…
ENFERMEIRA: (Cai de joelhos ao lado da cama, chorando abertamente) Eu não vim para te machucar. Eu vim… eu não sei como pedir perdão. Eu agi como um monstro. Eu vi apenas uma paciente, e não uma mãe sofrendo.
GESTANTE: (Com a voz fraca, mas firme) Você não sabe o que é dor, moça. E espero que nunca saiba o que é estar sozinha em um momento onde sua vida e a do seu filho dependem da compaixão de estranhos.
CENA 4: CONCLUSÃO
(A enfermeira sai do quarto, arrasada. Ela caminha pelo corredor, entregando o seu crachá para o segurança na recepção. O silêncio é total.)
DR. RICARDO: (Observando de longe, fala para si mesmo) A medicina trata o corpo, mas a empatia cura a alma. Sem isso, não somos nada.
(A câmera foca na gestante, que agora sorri levemente ao sentir o bebê chutar, enquanto a enfermeira sai do hospital, caminhando em direção a uma rua vazia sob o sol.)
EPÍLOGO

(Cena rápida: Um mês depois. A gestante está saindo do hospital com o bebê no colo. Ela olha para o prédio, respira fundo e agradece aos médicos. A cena termina com ela caminhando em direção a uma vida nova, mais forte e resiliente.)
