
ATO I: O CONFRONTO CONTINUA
(A sala de jantar está mergulhada em um silêncio cortante. Dona Helena permanece sentada à cabeceira da mesa, seus olhos fixos em Júlia.)
DONA HELENA Júlia, você trouxe veneno para este banquete. Por que insiste em destruir nossa imagem?
JÚLIA (Com a voz trêmula, mas firme) Imagem, mãe? Isso não é sobre imagem. São fraudes. Desvios que colocam tudo o que construímos em risco. Elenor sabia de tudo.
ELENOR (Levanta-se abruptamente, as mãos tremendo) Eu não sabia de nada! Você está alucinando, Júlia! Você sempre quis o meu lugar, não é? Desde que voltamos de Londres!
JÚLIA (Jogando a pasta de documentos sobre a mesa de mogno) Os documentos não alucinam, Elenor! Estão todos aqui. Assinaturas falsificadas. Transferências para contas em paraísos fiscais que levam diretamente ao seu nome.
DONA HELENA (Bate com as mãos na mesa, um estrondo que faz os cristais do lustre tremerem) Basta! Ninguém sai desta sala até que isso seja resolvido. A família não será exposta por causa da sua obsessão por justiça, Júlia.
ATO II: AS MÁSCARAS CAEM
(O clima é sufocante. Júlia começa a detalhar os esquemas, revelando que a própria fundação da empresa familiar está baseada em mentiras.)
JÚLIA (Caminhando ao redor da mesa, voz fria) Você, mãe, sempre nos ensinou que o nome da nossa família está acima de qualquer erro. Mas o que você não nos disse é que o nosso nome foi construído sobre o roubo.
ELENOR Cala a boca! Você não tem ideia do que foi preciso fazer para manter este padrão de vida!
JÚLIA Ah, então você admite? Finalmente!
(Elenor percebe o erro que cometeu e recua, buscando o apoio de Dona Helena com o olhar.)
ELENOR Mãe, eu fiz o que tinha que ser feito… pela empresa. Ela não entende o peso de manter esse império.
DONA HELENA (Sua voz baixa e gélida) O erro não foi o que você fez, Elenor. O erro foi deixar rastros. A competência é a única regra nesta casa.

JÚLIA (Rindo amargamente) Competência? É assim que você chama a corrupção? Eu tenho cópias digitais. Se algo acontecer comigo, o Ministério Público receberá tudo.
(Dona Helena se levanta. Ela não parece frágil; parece uma predadora.)
DONA HELENA Você se acha tão astuta quanto eu, Júlia? Você esqueceu que eu conheço cada movimento seu desde que você nasceu.
ATO III: A VIRADA FINAL
(A tensão atinge o clímax. Elenor tenta tirar a pasta das mãos de Júlia, mas Dona Helena intervém.)
DONA HELENA Elenor, pare. Júlia, sente-se. Vamos conversar como pessoas civilizadas. Se o que você diz é verdade, precisamos tomar decisões drásticas.
JÚLIA Não haverá mais conversas, mãe. Eu já chamei a auditoria externa. Eles chegam em trinta minutos.
(O choque no rosto de Elenor é evidente. Ela percebe que a derrota é iminente.)
ELENOR Você destruiu tudo, sua idiota! Você não vai herdar um centavo depois disso!
JÚLIA Eu prefiro não ter nada do que carregar o peso do que vocês fizeram.
(Dona Helena caminha até a janela, observando o jardim escuro. Ela se vira, com uma expressão inescrutável.)
DONA HELENA Sabe, Júlia… a auditoria não vai encontrar nada. Porque os documentos originais… não estão mais no cofre. E as cópias que você tem são, na verdade, contratos de transferência de dívidas que você mesma assinou, sem ler.
JÚLIA (Pálida) O quê? Não… isso é mentira!
DONA HELENA Você sempre foi brilhante, mas nunca teve a malícia necessária para sobreviver nesta casa. A auditoria vai encontrar apenas provas contra você.
(O telefone de Júlia começa a tocar. É o auditor. O silêncio na sala é absoluto, interrompido apenas pelo som do aparelho vibrando sobre a mesa.)
JÚLIA (Olhando para as duas, com o mundo desmoronando) Vocês planejaram isso… desde o começo?

DONA HELENA (Ajustando o colar) Nesta família, Júlia, ou você faz parte do jogo, ou você é a peça sacrificada. Escolha seu próximo movimento com cuidado.
(Júlia atende o telefone, suas mãos tremendo. A tela escurece lentamente enquanto a tensão aumenta.)
