
(CENA 1: INTERIOR DA IGREJA – O CAOS INSTALADO)
O silêncio na igreja é absoluto, quebrado apenas pela respiração ofegante de Juliana. O padre, visivelmente desconcertado, se retira do altar. Ricardo está estático, seus olhos fixos na barriga de borracha que Juliana tentava esconder sob o vestido de noiva de alta costura.
RICARDO: (Sua voz soa como um sussurro metálico) Juliana… você tem ideia do que fez? Você transformou o dia mais importante da minha vida em um espetáculo de horrores.
JULIANA: (Soluçando, tentando segurar a mão de Ricardo) Ricardo, escuta… Eu estava apavorada! A pressão da sua mãe, a expectativa de todos vocês… Eu sentia que se não estivesse grávida, eu não seria digna de entrar nesta família.
D. HELENA: (Caminha em direção a eles, com um olhar gélido) Digna? Você fala em dignidade depois de falsificar exames médicos? Depois de comprar ultrassons falsos? Você não é uma vítima, Juliana. Você é uma criminosa.
LÚCIA: (A empregada, mantendo a postura firme) Eu avisei, dona Juliana. Eu vi a senhora comprando esse adereço na internet semana passada. Eu tentei lhe dar uma chance de contar a verdade, mas a senhora preferiu continuar com a farsa.
JULIANA: (Gritando, desesperada) Cala a boca, Lúcia! Você não sabe de nada! Você só é uma empregada, você não sabe o que é viver sob o chicote dessa mulher!
D. HELENA: (Dá um passo à frente, intimidando Juliana) Você não ouse culpar a mim pela sua falta de caráter. Ricardo, tire-a daqui. Agora.
(CENA 2: INTERIOR DA IGREJA – A MULTIDÃO AGRESSIVA)
Os convidados começam a se levantar, os sussurros agora se tornam acusações diretas. Alguns filmam com seus celulares, rindo da situação.
RICARDO: (Olhando ao redor, sentindo o peso da humilhação) Todos estão olhando. O meu nome, o nome da minha empresa… tudo está sendo destruído por causa de uma mentira sua.
JULIANA: (Agarra o braço de Ricardo) Ricardo, nós podemos sair daqui! Vamos embora, agora! Podemos fugir!
RICARDO: (Afasta-se bruscamente) Fugir? Para onde? Você construiu um castelo de areia e ele acabou de desabar com a primeira onda. Eu não conheço a mulher com quem eu ia me casar hoje. Quem é você, Juliana?
JULIANA: Eu sou a mulher que te ama, Ricardo! Eu só queria garantir o nosso futuro…

D. HELENA: (Interrompe) O nosso futuro? Você queria o nosso dinheiro, isso sim. Ricardo, chame o advogado. Quero que ela responda legalmente por essa fraude.
(CENA 3: INTERIOR DA SACRISTIA – CONFRONTO FINAL)
Ricardo arrasta Juliana para a sacristia, trancando a porta para evitar os olhares curiosos.
RICARDO: (Com os olhos cheios de ódio) Me diga uma coisa… essa gravidez nunca existiu? Nem por um segundo?
JULIANA: (Chorando, em colapso nervoso) Eu… eu perdi o primeiro bebê, meses atrás. Eu estava tão destruída que achei que se eu aparecesse grávida novamente, o trauma passaria. Eu me perdi na mentira, Ricardo. Eu me perdi em mim mesma.
RICARDO: (Com um sorriso irônico e amargo) A perda de um filho é uma tragédia, Juliana. Mas o que você fez hoje é um crime contra a minha sanidade mental. Você me fez acreditar em uma vida, me fez amar uma criança que nunca existiu.
JULIANA: Eu te amo, por favor! Não me abandone agora!
RICARDO: O seu amor é tóxico. E hoje, aqui, diante de Deus e destas pessoas, o nosso amor morreu. Você me deu um presente, Juliana: a liberdade de nunca mais ter que olhar para o seu rosto.
(CENA 4: EXTERIOR DA IGREJA – O DESTINO DE JULIANA)
Juliana é expulsa da igreja. Ela caminha até o carro, os fotógrafos começam a cercá-la. Ela tenta cobrir o rosto, enquanto o vestido de noiva, agora manchado de poeira e lágrimas, arrasta-se pelo chão.
JULIANA: (Falando para si mesma, enquanto entra no carro e tranca as portas) Eles acham que ganharam. Eles acham que me destruíram. Mas eles não conhecem o segredo que eu guardo sobre o passado da Dona Helena. Se eu vou cair, ela vai cair comigo.
O carro arranca, deixando a igreja para trás, enquanto a câmera foca no rosto de Ricardo, que observa tudo da porta da igreja, com o olhar perdido.
D. HELENA: (Colocando a mão no ombro do filho) Agora, finalmente, a nossa família está protegida.

RICARDO: (Olha para a mãe, com frieza) Protegida de quê, mãe? De uma mentira externa? Ou da verdade que existe dentro desta casa?
