
(CENA 1: ESCRITÓRIO – CORREDOR PRINCIPAL – CONTINUAÇÃO)
O gestor (homem de terno azul) continua a confrontar a colaboradora, apontando o dedo de forma agressiva enquanto outros funcionários observam, visivelmente desconfortáveis.
GESTOR: Você está ouvindo o que eu estou dizendo? Eu não admito erros básicos como esse na minha equipe! Isso é uma falta de profissionalismo inaceitável.
COLABORADORA: (Mantendo a calma, mas com voz firme) Eu entendo que o erro aconteceu, senhor. Mas a forma como o senhor está me tratando agora é, no mínimo, desrespeitosa. Eu não sou sua funcionária de nível inferior que pode ser humilhada na frente de todos.
GESTOR: (Sorrindo com desdém) Ah, agora você quer discutir hierarquia? Talvez se você focasse mais no seu trabalho e menos em “sentimentos”, não estaríamos nessa situação.
COLABORADORA: Não se trata de sentimentos, se trata de ética básica de convivência. Ninguém precisa ser tratado com essa agressividade.
(CENA 2: ESCRITÓRIO – SALA DE REUNIÕES – POUCO DEPOIS)
O funcionário mais velho (o homem da camisa jeans) entra na sala onde o gestor está arrumando suas coisas, visivelmente irritado.
FUNCIONÁRIO: Precisamos conversar sobre o que acabou de acontecer lá fora.
GESTOR: (Sem olhar para ele) Não tenho tempo para isso, Ricardo. Tenho um prazo para cumprir.
FUNCIONÁRIO: (Bate na mesa) O tempo que você gasta humilhando os outros é o tempo que você perde como líder. O respeito não é algo que se exige na base do grito, é algo que se conquista pelo exemplo. E hoje, você deu um péssimo exemplo.

GESTOR: (Para e olha para ele, com um brilho de fúria nos olhos) Você quer me dar uma aula de liderança, Ricardo? Depois de trinta anos nesta empresa, você ainda não entende como o jogo funciona?
FUNCIONÁRIO: Eu entendo que o “jogo” mudou. O medo não move mais as pessoas, a colaboração sim. Se você continuar tratando sua equipe como descartável, você será o único responsável pelo fracasso do seu próprio departamento.
(CENA 3: ESCRITÓRIO – ÁREA DE TRABALHO – FINAL DA TARDE)
O clima está pesado. O gestor caminha pelo corredor, mas percebe que, ao passar, as pessoas se calam. Ele não recebe mais olhares de admiração, apenas de desconfiança.
GESTOR: (Para si mesmo, observando a mesa onde o café foi derramado mais cedo) Será que eu fui longe demais?
LÚCIA (Colega de trabalho): (Aproximando-se com cautela) O senhor não percebeu ainda, não é? O café foi só um detalhe. O problema é a forma como o senhor faz as pessoas se sentirem todos os dias. O respeito não se pede, ele é reflexo do que você dá aos outros.
O gestor olha para Lúcia e, pela primeira vez, parece hesitar. O silêncio do ambiente é o veredito.
(CENA 4: ESCRITÓRIO – SALA DO DIRETOR – NOITE)
O gestor está sozinho, olhando pela janela. O telefone toca. É o diretor da empresa.
DIRETOR (No telefone): Precisamos conversar amanhã cedo sobre o clima no seu setor. Recebi reclamações formais sobre sua conduta. Prepare-se.
Ele desliga o telefone. O gestor fecha os olhos. A máscara de arrogância parece estar finalmente caindo.

GESTOR: (Sussurrando para si mesmo) Amanhã será um longo dia.
