
(CENA 1: EXTERIOR DA CASA – NOITE – SOB A CHUVA TORRENCIAL)
O homem de terno (ROBERTO) continua a confrontar a mulher (ELIANA), que permanece ajoelhada no pátio, encharcada. Um raio ilumina o céu, revelando a expressão de desespero dela.
ROBERTO: (Gritando contra o barulho da chuva) Você acha mesmo que pode guardar esse segredo para sempre? Eu vi os documentos, Eliana! Eu vi o nome no registro do hospital!
ELIANA: (Com a voz embargada) Eu não tinha escolha, Roberto! Se eu contasse a verdade, você não teria me aceitado. A minha família… as dívidas… tudo dependia dessa mentira!
ROBERTO: E agora? O que você pretende fazer? O hospital já confirmou o erro. Eles sabem que o prontuário foi alterado.
ELIANA: (Levanta-se, tremendo) Eu vou resolver isso. Eu tenho um plano. Mas preciso que você confie em mim, pela última vez.
(CENA 2: INTERIOR DO HOSPITAL – SALA DE ESPERA – MADRUGADA)
Roberto está caminhando de um lado para o outro. Ao seu lado, seu amigo e sócio (BRUNO) e uma advogada (CLARA) observam a situação com apreensão.
CLARA: Roberto, se o hospital abrir uma investigação interna, nós estamos perdidos. As provas de que vocês falsificaram o prontuário são irrefutáveis.
BRUNO: (Com tom de voz baixo, mas urgente) Precisamos conter o dano agora. Se a polícia chegar antes que possamos apagar os registros digitais, não haverá retorno.
ROBERTO: (Olhando para o relógio, nervoso) Onde está o médico de plantão? Ele me prometeu que daria um jeito nisso até o nascer do sol.
(CENA 3: INTERIOR DA SALA DE CIRURGIA – AMBIENTE ESTÉRIL)
O cirurgião (DR. MARCOS) e uma enfermeira estão diante de uma tela de monitor. O ambiente é frio e tenso.

DR. MARCOS: (Sério) Precisamos ajustar os parâmetros do monitor, enfermeira. Se qualquer autoridade verificar os logs de acesso desta noite, a nossa carreira termina aqui.
ENFERMEIRA: Dr. Marcos, o senhor tem certeza de que quer continuar com isso? Isso não é apenas uma alteração de dados, é uma obstrução de justiça.
DR. MARCOS: Eu não estou te perguntando se é certo, estou te dando uma ordem profissional. A família de Roberto pagou caro por este silêncio, e eu pretendo entregar o que foi prometido.
(CENA 4: EXTERIOR DO HOSPITAL – NOITE)
Um carro preto estaciona em frente ao hospital. Eliana desce do carro, usando um capuz para esconder o rosto da chuva. Ela olha para as luzes do prédio, sabendo que tudo o que ela construiu está prestes a desmoronar.
ELIANA: (Falando para si mesma) Se eu vou cair, não vou cair sozinha. Roberto, você é o próximo.
(CENA 5: INTERIOR DO HOSPITAL – CORREDOR)
Roberto sai da sala de espera e encontra Eliana no corredor. O choque é evidente.
ROBERTO: O que você está fazendo aqui? Eu te disse para ficar em casa!
ELIANA: (Com um sorriso frio e calculista) Eu cansei de ser a única a carregar o peso dessa culpa, Roberto. Você quer todos os detalhes? Então você vai ter.
ROBERTO: (Cochichando, olhando em volta) Abaixa o tom de voz! Estamos em um hospital!
ELIANA: (Chegando perto dele) O hospital é o menor dos seus problemas agora. Você acha que eu era a única mentirosa nessa história? Pergunte ao Dr. Marcos sobre os fundos que ele desviou da sua clínica.
Roberto paralisa. O mundo parece girar ao seu redor.

ROBERTO: O quê?
ELIANA: A tempestade está apenas começando, Roberto. E desta vez, não há abrigo para ninguém.
