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Part2_A1206005_Mulher desesperada implora para entrar em reunião crucial mas segurança barra brutalmente sua passagem_parte2

admin79 by admin79
June 12, 2026
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Part2_A1206005_Mulher desesperada implora para entrar em reunião crucial mas segurança barra brutalmente sua passagem_parte2

O eco da voz grave do segurança ainda pairava no ar pesado daquela manhã.

O trânsito caótico de São Paulo rugia ao fundo, mas para os três ali na calçada, o tempo parecia ter congelado.

Mariana apertou a alça da maleta de couro marrom com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

Lágrimas quentes de frustração e pânico escorriam por seu rosto, arruinando a maquiagem impecável de quem havia se preparado para o dia mais importante de sua vida.

O jovem de camisa social, que havia tentado intervir, deu um passo à frente, peitando o segurança.

— “Você está louco? Ela tem uma reunião com o Conselho de Administração!” — ele gritou, apontando o dedo no rosto do homem fardado.

O segurança não piscou.

Seu nome era Roberto, e seus olhos escuros eram como duas pedras de gelo intransponíveis.

— “Minhas ordens vieram de cima. Desta porta, ela não passa.” — Roberto respondeu, a voz perigosamente baixa.

Mariana sentiu os joelhos fraquejarem.

Se ela não entrasse naquela sala de reuniões nos próximos dez minutos, a fusão seria aprovada.

E a fusão era uma fraude bilionária projetada para encobrir um crime de sangue.

— “Por favor…” — Mariana implorou, a voz embargada, dando um passo trêmulo na direção do vidro espelhado.

— “Senhora, recue.” — Roberto avisou, a mão descendo instintivamente para o cassetete no cinto.

Foi então que o jovem de camisa social se virou para Mariana, com uma expressão de falsa compaixão.

— “Mariana, escuta. O conselho confia em mim. Me dá a maleta. Eu entro com os documentos e apresento por você.” — ele disse, estendendo as mãos de forma apaziguadora.

Mariana hesitou.

O olhar do rapaz parecia sincero, e o desespero começava a turvar seu raciocínio.

Ela afrouxou o aperto na alça da maleta.

Ele sorriu, um sorriso sutil e aliviado, e deu um passo para pegar o couro gasto.

Mas, naquele exato segundo, a tela do celular do rapaz, enfiado no bolso da camisa, acendeu com uma notificação.

O ângulo era perfeito.

Mariana conseguiu ler o nome do remetente e o início da mensagem através do tecido fino.

*Diretor Henrique: Pegou as provas com a idiota? Destrua tudo.*

O sangue de Mariana gelou instantaneamente.

Uma onda de adrenalina varreu o cansaço e o choro de seu corpo.

Ela puxou a maleta violentamente para trás, recuando dois passos tropeçados.

— “Você… você trabalha para o Henrique.” — ela sussurrou, horrorizada.

O disfarce de bom moço do rapaz derreteu em um piscar de olhos.

Seu rosto se contorceu em uma máscara de fúria crua.

— “Me dá a porra dessa maleta, Mariana! Acabou!” — ele rosnou, avançando como um predador.

Roberto, o segurança, arregalou os olhos, confuso com a mudança brusca na dinâmica.

Mariana girou o corpo para fugir, mas o salto do seu sapato prendeu em uma rachadura da calçada.

Ela caiu com força no concreto áspero.

O impacto fez a maleta escapar de suas mãos.

As travas de metal, já velhas, cederam sob a pressão.

A maleta se abriu no asfalto, vomitando dezenas de pastas vermelhas e fotografias em alta resolução.

O vento soprou, espalhando algumas das imagens pelos pés do segurança.

O rapaz engravatado se jogou no chão, tentando recolher os papéis freneticamente, como se tentasse apagar um incêndio com as próprias mãos.

Mas uma das fotos já havia parado direto na ponta do coturno de Roberto.

O segurança olhou para baixo.

Ele ia ignorar, ia cumprir sua ordem de apenas manter a porta fechada.

Mas algo na imagem capturou sua atenção.

Sua respiração parou.

Lentamente, Roberto se abaixou, ignorando a confusão entre Mariana e o rapaz.

Ele pegou a fotografia com os dedos trêmulos.

Era a imagem dos escombros da Fábrica 4, que havia desabado no ano anterior, uma tragédia abafada pela mídia.

No canto da foto, circulado em caneta vermelha, havia um laudo pericial assinando a ordem direta de ignorar as falhas estruturais para cortar custos.

A assinatura no documento fotografado era clara: *Henrique Villar, CEO.*

E presa ao laudo com um clipe de papel, estava a lista das vítimas fatais.

O nome *Beatriz Lima*, filha de Roberto, estava em primeiro lugar.

O mundo ao redor do segurança ficou completamente mudo.

Ele não ouvia mais os buzinaços.

Ele não ouvia mais os gritos de socorro de Mariana enquanto o rapaz tentava arrancar os papéis de debaixo dela.

Roberto só ouvia o som do próprio coração quebrando em mil pedaços pela segunda vez.

O CEO da empresa que ele protegia com a própria vida… era o assassino de sua filha.

O rapaz engravatado, alheio à epifania silenciosa e letal que acontecia ao seu lado, puxou Mariana pelo cabelo.

— “Fica quieta, sua vadia! Você não vai destruir o Henrique!” — o rapaz cuspiu as palavras, levantando a mão para desferir um soco no rosto da mulher.

O golpe nunca chegou.

A mão gigantesca de Roberto se fechou em torno do pulso do rapaz com a força de um torno mecânico.

O estalo do osso protestando foi audível até para quem passava na rua.

O rapaz gritou de dor, soltando Mariana no mesmo instante.

— “O que você está fazendo, seu imbecil?! Eu sou da diretoria! Eu mando em você!” — o rapaz berrou, tentando se soltar em vão.

Roberto ergueu o rosto.

Lágrimas grossas cortavam seu rosto endurecido, mas seus olhos queimavam com uma fúria infernal.

— “Por cima do meu cadáver.” — Roberto repetiu, a voz agora um rosnado gutural, carregado de uma dor indescritível.

Com um único movimento brutal, Roberto jogou o rapaz contra a parede de concreto do edifício.

O baque foi surdo. O ar escapou dos pulmões do engravatado, que escorregou até o chão, atordoado e ofegante.

Roberto se ajoelhou ao lado de Mariana, que o olhava aterrorizada.

Ele juntou as pastas vermelhas e a foto do laudo, organizando tudo com um cuidado quase reverente.

— “Junta o resto.” — Roberto ordenou, a voz falhando pelas lágrimas.

Mariana, trêmula, obedeceu, enfiando tudo de volta na maleta quebrada.

De repente, as portas de vidro automáticas deslizaram, abrindo-se silenciosamente.

Um homem alto, de terno italiano impecável e cabelos grisalhos, pisou na calçada, cercado por dois outros seguranças particulares.

Era Henrique, o CEO.

Ele olhou para a cena deplorável: seu assistente no chão, a maleta aberta, e o segurança chorando.

Henrique sorriu com desdém, ajustando as abotoaduras de ouro.

— “Que espetáculo patético. Roberto, o que você está esperando? Tire essa mulher daqui. E jogue esse lixo que ela trouxe no triturador.” — a voz de Henrique era mansa, carregada de arrogância.

Roberto se levantou lentamente.

Seus mais de um metro e noventa de altura pareciam preencher todo o espaço da calçada.

Ele não olhou para os seguranças do CEO. Ele olhou diretamente nos olhos do homem que destruiu sua família.

— “A Beatriz tinha dezoito anos.” — Roberto sussurrou.

O sorriso de Henrique vacilou por uma fração de segundo.

— “Eu não sei do que você está falando, funcionário. Cumpra suas ordens.” — Henrique retrucou, mas deu um passo sutil para trás.

Roberto não pensou. Ele simplesmente agiu.

Ele avançou como um touro em fúria.

Os dois seguranças particulares tentaram interceptá-lo, mas Roberto estava movido a luto e vingança.

Ele acertou um soco devastador no queixo do primeiro, apagando-o instantaneamente.

O segundo sacou uma arma, mas Roberto foi mais rápido, agarrando o cano e desarmando o homem com um golpe de cassetete na clavícula.

Henrique tentou correr de volta para dentro do prédio, mas o terror travou suas pernas.

Em três passadas largas, Roberto o alcançou.

Ele agarrou o colarinho do terno italiano de mil dólares e ergueu o CEO do chão, prensando-o contra o próprio vidro espelhado de seu império corporativo.

— “Você a matou para economizar concreto!” — Roberto rugiu, o rosto a centímetros do rosto apavorado do bilionário.

Henrique ofegava, o rosto vermelho, os pés balançando no ar.

— “Eu… eu te pago o que você quiser… milhões…” — Henrique engasgou, a covardia finalmente escorrendo de seus lábios.

— “Eu quero a minha filha de volta.” — Roberto respondeu, levantando o punho para acabar com a vida daquele homem ali mesmo.

— “Roberto, não!” — a voz de Mariana cortou a tensão, aguda e desesperada.

O segurança parou, o punho tremendo no ar, os nós dos dedos prontos para estilhaçar ossos e vidro.

Mariana estava de pé, ofegante, segurando a maleta contra o peito.

Na outra mão, o celular gravava tudo, transmitindo ao vivo para suas redes sociais e para o contato de jornalismo investigativo que ela havia deixado em espera.

— “Se você matá-lo, você não é melhor que ele. E ele nunca vai pagar pelo que fez no tribunal.” — Mariana disse, a voz ganhando firmeza. — “A polícia está chegando. Deixa ele apodrecer vendo o império dele desmoronar.”

O som de sirenes, que antes parecia distante, agora rasgava a avenida, aproximando-se rapidamente.

Roberto olhou para o rosto patético do CEO, agora suado e pálido.

Aos poucos, a tensão abandonou os músculos do segurança.

Ele soltou o colarinho de Henrique, deixando o bilionário cair de joelhos no chão como um saco de lixo.

Henrique tossia violentamente, massageando a garganta, enquanto percebia que não havia para onde fugir.

As viaturas da Polícia Federal subiram na calçada, freando bruscamente e bloqueando qualquer saída.

Agentes armados desceram, com distintivos brilhando sob o sol da manhã.

— “Henrique Villar? O senhor está preso sob acusação de fraude, ocultação de provas e homicídio culposo.” — um dos delegados anunciou, puxando as algemas.

Mariana caminhou até o delegado, abrindo a maleta e entregando a pasta vermelha mais grossa.

— “Aqui estão os relatórios originais da Fábrica 4. E as assinaturas.” — ela disse, a voz finalmente livre do pânico, soando fria e profissional.

Enquanto Henrique e seu assistente eram empurrados para dentro das viaturas, Mariana se virou.

Roberto estava sentado nos degraus do prédio, alheio a toda a movimentação.

Ele segurava a fotografia manchada contra o peito, chorando baixinho, um choro soluçado e antigo que finalmente encontrava espaço para existir.

Mariana se aproximou lentamente e sentou-se ao lado dele no chão de pedra fria.

Ela não disse nada. Apenas colocou a mão gentilmente sobre o ombro largo do segurança.

O vento soprou novamente, mas dessa vez, não trouxe o cheiro de asfalto e desespero.

Trouxe as primeiras gotas de uma chuva fina, lavando a calçada manchada, lavando o sangue seco da história que tentaram enterrar.

As portas de vidro do edifício permaneceram abertas atrás deles.

Mas a verdadeira passagem, a que cobrava o peso da verdade, já havia sido cruzada.

E ninguém precisou passar por cima do cadáver de Roberto.

Pela primeira vez em muito tempo, ele estava respirando.

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