
CENA 1: SALA DE MONITORAMENTO – NOITE
(O ambiente é escuro, iluminado apenas pelo brilho azulado das telas. ANA, a enfermeira, está sentada na cadeira giratória. Ela está ofegante. Na tela principal, a imagem do homem que ela viu no corredor aparece, mas ele está imóvel, olhando fixamente para a câmera.)
ANA: (Sussurrando para si mesma) Não é possível… eu verifiquei o prontuário. Ele foi declarado morto às 03:15 da manhã.
(Ela aproxima o zoom. A imagem do homem na tela começa a mudar. O rosto dele parece oscilar, como se houvesse uma falha técnica ou algo sobrenatural.)
ANA: (Digita furiosamente no teclado) Vamos lá, mostre o registro de entrada. Onde você está?
(Um arquivo abre. O nome do paciente não existe. No campo “Histórico”, aparece apenas: “PROJETO Sombra – Caso 001”. De repente, a porta da sala de monitoramento se abre lentamente.)
MÉDICO (VOZ SECA): Ana, você não deveria estar vendo isso.
(Ana vira a cadeira. O MÉDICO-CHEFE, um homem de meia-idade com olhar frio, está parado na porta.)
ANA: Doutor, o que é o “Projeto Sombra”? Quem é aquele homem? Eu vi ele no corredor!
MÉDICO: (Caminhando lentamente até ela) Existem coisas neste hospital, Ana, que superam a ciência. Alguns pacientes não “morrem” da forma que você conhece. Eles apenas mudam de fase.
CENA 2: CORREDOR DA ALA DE INTERNAÇÃO – NOITE
(O clima é tenso. O homem de vermelho, que vimos no vídeo anterior, está caminhando pelo corredor. Ele para diante do quarto 402. Ele toca na maçaneta, mas ela está trancada.)
HOMEM DE VERMELHO: (Sussurrando para a porta) Eu sei que você está aí. Eu vi o que fizeram com você. Eles acham que podem controlar o tempo, mas eles não sabem que o tempo cobra o seu preço.
(Ele tira um pequeno dispositivo do bolso, um tipo de cartão magnético antigo.)
HOMEM DE VERMELHO: Hoje a verdade vai sair.
(A porta se abre com um clique metálico. O quarto está na penumbra. Há uma cama, mas não há ninguém nela. Apenas uma cadeira de rodas virada para a janela e um casaco velho pendurado no biombo.)
HOMEM DE VERMELHO: Você fugiu de novo, não foi? Sempre um passo à frente.
CENA 3: CAFETERIA DO HOSPITAL – MADRUGADA
(A Dra. HELENA está sentada, bebendo um café forte. Suas mãos tremem. O homem de vermelho entra e se senta à frente dela sem pedir permissão.)
DRA. HELENA: O que você quer, Lucas? Já se passaram vinte anos. Você ainda não superou?
LUCAS (HOMEM DE VERMELHO): Superar, Helena? Eles mataram o meu pai naquele leito para testar um soro experimental. Você era a estagiária na época. Você assinou o óbito sabendo que ele ainda respirava.
DRA. HELENA: (Baixa a voz, furiosa) Eu não tinha escolha! Se eu não assinasse, eles me eliminariam também. Este hospital é uma fachada para algo muito maior.
LUCAS: E agora? O que eles estão fazendo com a Ana?

DRA. HELENA: Ana está curiosa demais. Ela descobriu o “Projeto Sombra”. Se ela não calar a boca, ela será a próxima a entrar na “Lista de Óbitos” do sistema.
LUCAS: (Olha fixamente para ela) Então vamos dar a ela uma chance de fugir. Ou de lutar.
CENA 4: SALA DE MONITORAMENTO – CONT.
(Ana está escondida embaixo da mesa enquanto o Médico-Chefe vasculha a sala. Ela segura seu celular, tentando gravar o que ele diz.)
MÉDICO: (Ao telefone, voz baixa) Sim, a enfermeira Ana teve acesso aos arquivos. Sim, o “Paciente Zero” está ativo. Precisamos neutralizar o setor. Iniciem o protocolo de bloqueio total.
ANA: (Pensamento) Bloqueio total? Eles vão trancar o hospital inteiro com todos os pacientes dentro?
(Ela percebe que precisa sair dali. Ela olha para o teto, vê a grade do sistema de ventilação. Ela sobe na cadeira e começa a abrir a grade.)
MÉDICO: (Virando-se abruptamente) Eu sei que você está aí, Ana. Não adianta se esconder. O sistema de ventilação é monitorado.
(Ana congela. O Médico-Chefe sorri, um sorriso gélido.)
MÉDICO: Bem-vinda ao seu primeiro dia do resto da sua vida. Ou o seu último.
CENA 5: O CONFRONTO FINAL (OU O INÍCIO DE TUDO)
(Lucas entra na sala de monitoramento com uma arma de choque. Ele vê o Médico-Chefe prestes a alcançar Ana.)
LUCAS: Solta ela agora!
MÉDICO: Lucas… o filho da vingança. Você realmente acha que pode mudar o destino?
LUCAS: Eu não vim mudar o destino, eu vim expor a fraude.
(Lucas joga um pen drive no painel de controle. As telas de repente começam a exibir os dados do Projeto Sombra para todo o sistema do hospital – em todas as alas, as TVs ligam sozinhas, mostrando a verdade sobre as mortes forjadas.)
ANA: (Olhando para a tela) Meu Deus… eles estão fazendo isso com todos os andares.
(Sirenes começam a soar por todo o hospital. O caos se instala. Médicos e pacientes começam a correr pelos corredores. O mistério está revelado, mas a guerra apenas começou.)
LUCAS: (Para Ana) Corra, Ana! Pegue a saída de emergência atrás da lavanderia. Não olhe para trás!
ANA: E você?
LUCAS: Eu tenho contas a acertar com o passado. Vá!
(Ana corre pelo corredor, desviando das macas e das pessoas em pânico. Ela chega à saída, mas antes de abrir, ela olha para trás e vê, no final do corredor, o paciente que ela achava que estava morto. Ele está de pé, lúcido, olhando para ela com um aviso no olhar.)
PACIENTE (VOZ ROUCA): A porta não leva para fora, Ana. Leva para o outro lado.

(A tela escurece. Som de porta se fechando com estrondo.)
FIM DA PARTE 2
